Mediadores debatem acesso ao seguro de saúde

A Saúde Prime, detida pela Future Healhcare, reuniu, em Guimarães, 80 mediadores de seguros para debater estratégias futuras para proporcionar um acesso mais económico dos portugueses à medicina privada.

A iniciativa decorreu no Hospital Privado de Guimarães e incentivou a participação dos mediadores de seguros da região Norte do país.

“O sistema de saúde está submetido, como nunca, a um escrutínio permanente que visa assegurar o acesso e a equidade sem comprometer os níveis de despesa pública. Neste contexto, é natural que todos os operadores do sector procurem formatar os melhores modelos de financiamento do sistema de saúde”, confirma Nelson Brito, director-geral do hospital vimaranense que acolheu a iniciativa.

Cinco desvantagens de um seguro de saúde

Na sequência do recente artigo em que desenvolvemos o lado positivo de subscrever um seguro de saúde, apresentamos agora a outra face da questão, ou seja, as desvantagens inerentes a este género de produtos.

Aconselhamos, por isso, a leitura do texto acerca dos aspectos negativos para que tenha bem recente na sua memória ambos os prismas do assunto e possa decidir informadamente.

Antes de avançarmos com a exposição dos contras associados à aquisição deste género de apólices frisamos, no entanto, que os pontos seguintes não anulam de forma alguma todos os prós acarretados pela subscrição dos mesmos, pois como foi realçado no artigo que antecipa o presente escrito, garantir apoio na saúde é fundamental para uma vida melhor.
Esclarecidos os aspectos destacados nos dois parágrafos anteriores, essenciais para que tenha a oportunidade de escolher em plena consciência dos factos, passamos a referir cinco desvantagens de um seguro de saúde.

1. O elevado custo das apólices é sem dúvida um dos maiores entraves deste género de produtos e a principal razão pela qual poucos são os portugueses que se podem “dar ao luxo” de os subscreverem. É claro que existem valores muito distintos mas regra geral a cobertura mínima razoável ronda os 25/30 euros, o que está longe de ser acessível para boa parte dos cidadãos nacionais. Já a mensalidade base fica-se pelos 10/15 euros mas abrange serviços extremamente elementares e raramente compensa;

2. As franquias dos seguros de saúde, uma espécie de comissões por usufruto, são outra das grandes desvantagens destes préstimos. Na prática este encargo surge sempre que o tomador daquele activar a apólice e implicará um agravamento no montante a liquidar no mês seguinte. Ou seja, quando paga e não usa a mensalidade permanece igual, no entanto, ao usá-lo tem de pagar mais por isso. Um total contra-senso difícil de justificar;

3. Os períodos de carência também contribuem fortemente para a fraca procura pelos seguros de saúde. Muitas empresas têm os seus contratos blindados nos primeiros meses e não prescindem da recepção de vários pagamentos iniciais antes de permitirem que a apólice se torne passível de ser activada, o que significa a impossibilidade de beneficiar de um serviço que está a ser pago mas na realidade é inútil em caso de necessidade;

4. As limitações impostas através da exclusão de doenças comuns não abrangidas pela esmagadora maioria das apólices nacionais são outra desvantagem que nada abona a favor deste género de produtos. Da mesma forma, a restrita política de responsabilidade que fixa valores máximos de reembolso mediante os serviços usados é causa da falta de popularidade dos seguros de saúde, pois quando se possui um préstimo dispendioso que tem de ser liquidado todos os meses e ainda assim cobre somente parte das despesas que esse mesmo serviço deveria providenciar, a questão do quão vantajoso é naturalmente surgirá em primeiro lugar;

5. Determinadas zonas do país não estão propriamente bem localizadas em relação aos estabelecimentos que compõem a rede de cuidados das seguradoras, o que por vezes obrigará a recorrer a outras entidades. Para estes casos existem as comparticipações fora da rede, embora estas sejam bastante reduzidas, pelo que é fundamental considerar este aspecto na hora de escolher o seguro de saúde a subscrever.

Cinco vantagens de um seguro de saúde

Hoje em dia é impensável confiar apenas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), não só porque está longe de ser gerido de forma ideal mas também porque esta tem sido uma das áreas mais sacrificadas à custa da redução do endividamento do Estado. Outras vias há por onde baixar a factura da República Portuguesa, todavia, nem são consideradas, o que deixa um sector absolutamente vital como a saúde de restos.

Perante a actual situação é necessário tomar medidas que garantam o nosso auxílio em caso de problemas no futuro e o melhor caminho para assegurar essa ajuda é recorrendo a um seguro de saúde. No passado este género de serviços foi relegado para um segundo plano, no entanto, o momento de urgência vivido no presente relançou a importância de possuir esta salvaguarda.

Se está indeciso relativamente à aquisição deste produto leia atentamente as cinco dicas que agora enumeramos e comprovam a utilidade de subscrever uma apólice desta natureza.

1. Tem sempre uma linha telefónica disponível para o ajudar na eventualidade de surgir algum problema. Esse canal directo de apoio encontra-se habitualmente activo sem quaisquer paragens, incluindo atendimento nocturno, fins-de-semana e feriados. É um préstimo 24 horas por dia, 365 dias por ano;

2. A rede de cuidados garantida por um seguro de saúde reduz substancialmente o tempo de espera característico do SNS, permitindo assim uma avaliação atempada, além de ser igualmente comum a escassez de burocracia, uma vantagem inegável que afasta desde logo (muitas) dores de cabeça;

3. O conjunto de possibilidades que se tem à disposição quando se possui uma apólice deste género é bastante mais amplo do que o limitado leque de alternativas públicas, do qual não é indissociável a extrema centralização em Lisboa, Porto e Coimbra. Assim, ao escolher um seguro próprio de saúde estará a alargar consideravelmente a oportunidade de usufruir de uma (mais) extensa rede de cuidados que prima pela qualidade, eficácia e variedade de soluções nos mais diversos campos;

4. A flexibilidade concedida por algumas apólices é outra das regalias destes produtos, na medida em que oferece uma boa quantidade de coberturas e aspectos contratuais que podem inclusive prever autonomia parcial ou total na hora de escolher os profissionais e estabelecimentos a que recorrer. Contudo, este é um parâmetro que já depende de cada seguro em concreto, valendo, porém, sublinhar o facto de que o poder fazer;

5. Talvez até seja redundante frisar o aspecto relevado neste ponto mas a verdade é que o seguro de saúde é efectivamente uma segurança, especialmente quando atravessamos um período em que muitas coisas são incertas. E se outras necessidades podem assumir uma menor importância, a saúde é algo com que não se brinca e tem de ser assegurada independentemente das circunstâncias. Sem ela tudo o resto cessa de existir.

Caixa Seguros ganha estatuto de entidade pública

Os fundos do ramo segurador da Caixa Geral de Depósitos deverão ganhar novo fôlego muito em breve com a sua “reforma” para entidade pública, numa estratégia de mercado que antecede a já confirmada privatização. A notícia foi avançada esta terça-feira por diversos meios de comunicação de referência e tem por base a minuta oficial divulgada pela “troika” na sequência da avaliação realizada pela equipa de resgate financeiro responsável pelo acompanhamento da situação dos bancos nacionais.

A passagem da Caixa Seguros a entidade 100 por cento pública decorre da necessidade de reforçar os capitais da instituição com a utilização de recursos próprios, dado que lhe está vedado o acesso aos 12 mil milhões de euros previstos no empréstimo concedido ao país. Isto porque o montante em causa, cuja activação ocorrerá apenas em último caso, encontra-se destinado exclusivamente ao sector bancário privado, não contemplando, por isso, a instituição pública.

O aumento de capitais imposto pela “troika” assume desta forma contornos práticos na Caixa Seguros e terá efeitos directos na gestão do Grupo Caixa Geral de Depósitos, naquele que é o passo inaugural com vista a tornar a instituição (mais) atractiva para os investidores que a médio prazo devem começar a apresentar as suas propostas de aquisição de títulos, ao abrigo da cláusula do “pacote de ajuda” que obriga o Governo a completar todo o processo de privatização do único banco público português no menor espaço de tempo possível.

A alteração do estatuto da Caixa Seguros visa essencialmente o cumprimento das metas de rácio, as quais têm de atingir no final deste ano nove por cento, ou seja, o equivalente à Core Tier 1 na escala de solvabilidade dos bancos. Esta imposição significa que todos os bancos com presença em Portugal devem reduzir o risco dos financiamentos sem retorno para que os seus capitais próprios sejam suficientes para cobrir eventuais perdas decorrentes deste género de situações de não remuneração atempada.

O novo plano de potencialização do valor da CGD poderá não só vir a incluir a Caixa Seguros mas igualmente a Caixa Saúde, ramos que têm alcançado óptimos resultados no seio do grupo há já vários meses consecutivos mas que estão destinadas à privatização, por imposição da “troika”, à semelhança do que acontecerá com outras empresas que constituem o núcleo central dos lucros do sector empresarial do Estado e abrangem serviços essenciais como as águas e saneamento, algo que se mantém sob o controlo do Governo em praticamente toda a UE, nomeadamente nos países mais ricos que integram boa parte do tecido financiador do “pacote de ajuda” de 78 mil milhões de euros.

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